Transfusão de concentrado de hemácias

 

O concentrado de hemácias é obtido e separado do sangue total doado, após centrifugação. Tem validade entre 35 a 42 dias, dependendo do anticoagulante utilizado. Cada unidade tem em torno de 300ml e a transfusão é realizada após os testes de compatibilidade entre o doador e o paciente. É utilizado quando há necessidade de melhorar a oxigenação dos órgãos, quando o nível de hemoglobina no sangue encontra-se baixo.

 

Transfusão de concentrado de plaquetas

 

Pode ser de uso profilático para evitar sangramentos, quando a contagem de plaquetas estiver abaixo de um nível crítico ou, uso terapêutico, quando o paciente apresenta sangramentos devido à contagem baixa de plaquetas.

–  Plaquetas randômicas: São obtidas à partir de uma unidade de sangue total, com volume aproximado de 50 ml e têm validade de 5 dias.

– Plaquetas obtidas por aférese: São coletadas de um doador único, através de procedimento especial chamado plaquetaférese, com duração de cerca de 3 horas. Sua concentração de plaquetas equivale a oito unidades de plaquetas randômicas e também tem duração de 5 dias.

 

Transfusão de plasma fresco congelado

 

É obtido através da separação de uma unidade de sangue total por centrifugação e, a seguir, imediatamente congelado. Tem validade de 12 meses. Contém todos os fatores da coagulação e é indicado para pacientes com sangramento devido à deficiência desses fatores, ou nos casos de pacientes com deficiência congênita de fatores, para os quais não haja, ainda,  concentrados específicos obtidos industrialmente.

 

Transfusão de crioprecipitado

 

É a fração do plasma insolúvel, quando o plasma fresco congelado é descongelado lentamente e,  após o descongelamento, submetido ao processo de centrifugação. Contém os fatores da coagulação VIII, fibrinogênio, fator de Von Willebrand(FvW) e fibronectina. Cada unidade tem em torno de 20 ml. Está indicado para repor fibrinogênio em pacientes com déficit congênito ou adquirido, nos casos de sangramentos, e na deficiência do fator XIII, deficiência de fator de Von Willebrand , apenas quando não se dispuser de concentrados específicos obtidos industrialmente.

 

Transfusão de hemocomponentes leucorreduzidos

 

É um processo pelo qual  é reduzido o número de leucócitos de um componente sanguíneo celular (glóbulos vermelhos e plaquetas) através da utilização de filtros para leucócitos, durante a coleta, logo após a doação do sangue, ou no momento da transfusão. Está indicado no caso de reação transfusional febril, associada a transfusão de concentrado de hemácias e plaquetas, uso profilático para reação transfusional em pacientes que serão politransfundidos e em pacientes imunossuprimidos.

 

Transfusão de hemocomponentes lavados

 

Podem ser lavados com salina estéril, utilizando-se para tanto, máquinas especialmente destinadas para esse fim. Os concentrados ficam suspensos em salina. Esse procedimento remove quase todo o plasma, reduz a concentração de leucócitos e remove plaquetas e restos celulares. Está indicado no caso de reação alérgica ao plasma, classificada em moderada à grave.

 

Transfusão de hemocomponentes irradiados

 

A transfusão de concentrado de hemácias irradiadas ou de concentrado de plaquetas irradiadas é realizada para prevenir a doença do enxerto versus hospedeiro transfusional, causada pela enxertia e expansão clonal dos linfócitos do doador em receptores susceptíveis. Para que ocorra a destruição dos linfócitos presentes nos hemocomponentes, estes devem ser submetidos à irradiação gama na dose de 2500cGy (25Gy).

 

Transfusão de granulócitos

 

Consiste na administração de granulócitos coletados de doadores em pacientes com neutropenia acentuada por não produção medular e com previsão de recuperação medular, na vigência de infecção não responsiva a tratamento específico. É um procedimento de eficácia clínica questionável.

 

Transfusão de células tronco (stem cell) – transplante de células tronco

 

Obtidas da medula óssea ou do sangue de cordão umbilical, são utilizadas para transplante. Podem ser autóloga (colhido do próprio paciente) ou alogênico (colhido de doadores específicos e compatíveis).

Sangria Terapêutica

 

É um procedimento  similar à doação de sangue, com a diferença de que o sangue retirado é desprezado após a coleta. Esta terapia é indicada mais frequentemente a pacientes portadores de policitemia vera ou poliglobulia (excesso de glóbulos vermelhos ou hemácias) e de hemocromatose (excesso de ferro no organismo).

Aférese de doador

 

Seguindo os modernos protocolos terapêuticos em pacientes trombocitopênicos, dispomos de equipamentos de aférese de última geração, podendo colher Plaquetas de doador único (Plaquetas de Aférese) dando suporte hemoterápico ao longo do tratamento e oferecendo um produto de qualidade com mínima exposição do seu paciente aos riscos da aloimunização e reações adversas.

O agendamento dos doadores é feito a partir da solicitação médica  e será programado em função da necessidade do paciente baseado em sua evolução  clínico-laboratorial.
A indicação, assim como as doses preconizadas, são determinadas pelo médico assistente.

Circunstancialmente também é possível realizar a coleta dupla de hemácias com doadores pré-selecionados em máquinas especiais para esta finalidade.

Aférese Terapêutica

 

Realizamos procedimentos de aféreses terapêuticas em suas várias modalidades (Plaquetaférese, Plasmaférese, Leucaférese e Eritrocitaférese), de acordo com os protocolos determinados pela AABB (American Association of Blood Banks).

Dispomos de equipamentos de ponta e profissionais treinados para realizar procedimentos complementares aos tratamentos de base visando melhores resultados terapêuticos de seus pacientes.

Autotransfusão 

 

É um procedimento em que o paciente é seu próprio doador. Autotransfusão, ou doação autóloga, é a designação do processo de reinfusão do sangue do próprio indivíduo, isto é, quando o mesmo recebe transfusão de seu próprio sangue doado dias antes.

Os principais procedimentos relacionados à autotransfusão são:

 

  • Pré-depósito:

 

O sangue é coletado do paciente antecipadamente, armazenado e reservado durante algumas poucas semanas para que seja reinfundido no momento da cirurgia.
Este sangue coletado é submetido a todos os testes sorológicos de uma doação comum, mas é de uso exclusivo do paciente. Caso a unidade coletada  não seja utilizada, a mesma será descartada, conforme determina a legislação.

 

Obs.: É possível, também, retirar o sangue do paciente e congelar por um longo período de tempo. Tempos depois, o sangue pode ser transfundido após descongelado quando necessário.

 

  • Hemodiluição:

 

O sangue do paciente é coletado em uma bolsa plástica específica para doação de sangue momentos antes da cirurgia e o volume retirado  é reposto com soluções específicas na mesma proporção. O sangue retirado é devolvido ao paciente ao final da cirurgia. A vantagem é que a perda de sangue na cirurgia contém menos hemácias devido ao sangue do paciente estar mais diluído e com todos os componentes sanguíneos viáveis.

 

  • Per-operatório:

 

Ocorre durante a cirurgia, onde o sangue do paciente, que seria desprezado é aspirado, filtrado e lavado com soro fisiológico para que seja reinfundido no momento indicado. Esse procedimento é realizado com auxílio de equipamento apropriado chamado cell saver. É aceito pela maioria das pessoas em que suas religiões não permitam transfusões com sangue de outros indivíduos.

 

Vantagens da autotransfusão:

1) O risco de transmissão de doenças é inexistente, pois o sangue é do próprio paciente;

2) Não há possibilidades de que o paciente fique exposto a proteínas de outros doadores;

3) Não existe incompatibilidade sanguínea – portadores de tipos sanguíneos raros ou pouco frequentes podem receber seu próprio sangue.

Imunohematologia de Paciente

 

Realizamos os principais testes pré-transfusionais:

  • Classificação sanguínea: determina o grupo sanguíneo ABO e a classificação Rh(D)
  • Pesquisa de Anticorpos Irregulares (PAI), conhecida anteriormente como Coombs Indireto: pesquisa a presença de anticorpos livres no soro ou plasma.
  • Prova de compatibilidade (maior): teste a compatibilidade entre o soro ou plasma do paciente e as hemácias do doador que serão transfundidas

No caso de uma Pesquisa de Anticorpos Irregulares positiva, testes adicionais serão realizados na amostra do paciente. Neste momento poderá haver a necessidade de coleta de mais amostras.

  • Painel de identificação de Anticorpos: utilizado para tentar definir a especificidade do(s) anticorpo(s) presente(s) na amostra, através do uso de hemácias comerciais com fenótipos conhecidos que serão colocadas em contato com o soro ou plasma do paciente.
  • Autocontrole: teste realizado com as hemácias e o soro (ou plasma) do próprio paciente. Visando a diferenciação ente alo e auto-anticorpo.
  • Teste de Antiglobulina Humana Direto (TAD), conhecido anteriormente como Coombs Direto: pesquisa a presença ou ausência de anticorpos fixados in vivo nas hemácias. Em caso de positividade, soros monoespecíficos serão utilizados para determinar a classe do anticorpo presente. O TAD pode ser positivo por IgG, IgM, IgA ou por frações do complemento.
  • Eluição: No caso de TAD positivo, poderá ser utilizada uma técnica de dissociação deste anticorpo da superfície das hemácias para uma posterior identificação.
  • Adsorção: Técnica empregada para que o anticorpo livre no plasma ou soro se prenda à membrana da hemácia. Muito útil na separação de anticorpos em caso de misturas, quando um deles já tenha sido identificado e esteja prejudicando a identificação dos demais, por exemplo: paciente possui três anticorpos, sendo dois com especificidade conhecida (anti-X e anti-Y) e um ainda não identificado. Colocando o soro do paciente em contato com hemácias contendo os antígenos X e Y, esses anticorpos serão retirados da amostra, sobrando apenas o terceiro que poderá, agora, ter sua especificidade identificada.

Esta técnica também é utilizada nos casos de associação de auto e alo-anticorpos, quando o autoanticorpo pode mascarar um alo de importância transfusional. Neste caso, o soro do paciente é colocado em contato com suas próprias hemácias. Após a retirada do auto-anticorpo poderá ser pesquisada a presença ou ausência de um alo-anticorpo.

  • Fenotipagem: Pesquisa os antígenos presentes na superfície das hemácias

Após a realização dos testes, a amostra permanecerá armazenada por 72h para o caso de necessidade de repetição de algum dos testes. Além disso, uma alíquota de soro é separada e congelada no momento do primeiro atendimento. Esta amostra passa a fazer parte da soroteca de pacientes.

Testes NAT

 

Realizamos, além dos testes sorológicos para pesquisa de anticorpos, os testes de biologia molecular – NAT (Nucleic Acid Test) para a detecção dos vírus HIV (AIDS) e HCV (Hepatite C) desde 2005 e para o vírus HBV(Hepatite B) desde 2011.

Esses testes tem o objetivo de aumentar a segurança da transfusão, pois detecta diretamente o vírus, permitindo assim, uma diminuição da janela imunológica (tempo entre a infecção e o aparecimento dos anticorpos contra o vírus).

Com a Resolução RDC Nº 51 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a Portaria Nº 2.712 do Ministério da Saúde, ambas de Nov/2013, esses testes passaram a ser obrigatórios em todos os sangues e hemocomponentes produzidos no país.

Transplante de Medula Óssea

 

O transplante de medula óssea consiste em coletar, armazenar e reinfundir células da linhagem hematológica, denominadas células pluripotentes hematopoiéticas (CPHP) que apresentam alta capacidade de se dividir e diferenciar. Essas células são coletadas do doador através de um equipamento específico (máquina de aférese) conectado a veia do doador que retira, separa as CPHP e devolve o restante do sangue num processo contínuo que leva em torno de 3 horas.

As CPHP são então congeladas em um equipamento especial e armazenadas até o momento do transplante, quando serão descongeladas e infundidas, pela veia, do receptor.

O transplante de medula óssea é a infusão das CPHP coletadas e trata-se de procedimento semelhante à transfusão de sangue. Uma vez na circulação do paciente (receptor), essas células reconhecerão a medula óssea (local onde ocorre a produção das células do sangue) como ambiente adequado, e ali se estabelecerão.

Por serem pluripotentes, as CPHP tem a capacidade de se dividir e diferenciar em todos os tipos de células sanguíneas, repovoando a medula, que fora atingida e muito prejudicada por protocolo de quimioterapia intenso, voltando, desse modo, a ocorrer a produção de hemácias, plaquetas e leucócitos (células de defesa)livres de doença.

As CPHP coletadas podem ser infundidas em dois tipos de transplantes:

 

Transplante autólogo de medula:

Quando as células infundidas são do próprio doador (paciente).

 

Transplante alogênico de medula óssea:

Quando as células infundidas são de outra pessoa. Para este tipo de transplante é necessário que o doador e o paciente sejam compatíveis para o sistema leucocitário humano (sigla HLA em inglês) que é o principal complexo de histocompatibilidade humano.

 

 

Os pacientes submetidos ao transplante de medula óssea necessitam de transfusões de sangue e de plaquetas devido à quimioterapia intensa e conseqüente destruição das células da medula óssea, até que a mesma esteja repovoada com as células transplantada, portanto a doação de sangue é muito importante para o tratamento desse tipo de paciente.  Se você é doador espontâneo informe na recepção que deseja doar para pacientes que fizeram TMO. Se você é médico, oriente seu paciente a mobilizar doadores para as futuras transfusões.